Toda vez que escuto alguém trazer o discurso de que tais transtornos são igual qualquer doença que precisa tomar remédio pra repor o que falta no seu cérebro, fico extremamente incomodada.
Esse discurso, apesar de sua boa intenção, carrega diversas problemáticas e aqui vamos discorrer sobre algumas delas:
Essa ideia implica que estamos falando de corpos com defeitos, que estão com algo em falta e com um problema a ser corrigido. Por mais que não saibamos de fato a complexidade biológica nesses casos, é importante lembrar que suas causas extrapolam o físico e têm grande influência social, econômica, histórica, cultural, ambiental, etc.
Resumir questões tão amplas e complexas a uma falha do corpo é invisibilizar todo nosso entorno social, além de transferir a culpa e apontar um corpo, um indivíduo, como O problema.
Ainda, entendemos que para tratar uma doença como inflamações, vírus, bactérias, vermes, etc, ou seja, um agente externo físico, costumamos fazer um tratamento com remédio que elimina o problema.
Quando entendemos depressão, ansiedade, entre outros, como qualquer outra doença e até mesmo como uma doença em si (algo muito questionável), enxergamos o tratamento com fármacos como a solução e como algo imprescindível.
Assim, deixamos de nos atentar aos tantos problemas que remédios podem trazer, seus perigos e efeitos colaterais e nos despistamos de outras áreas que precisam ser trabalhadas para além do indivíduo, como a justiça social.
Remédio em alguns casos pode ser de grande benefício, mas não podemos banalizá-los a ponto de entender que todos que sofrem com essas questões devem ser medicados, que a medicação é necessária para um tratamento acontecer ou que são milagrosos e não apresentam riscos graves.
Esse assunto possui inúmeros desafios para serem discutidos, mas o que sabemos é que o modelo atual de lidar com esses sofrimentos não tem sido eficaz. Tendo isso em mente, recentemente foi proposta uma nova abordagem entre um grupo de psicólogos chamada de “Poder, ameaça e sentido” ainda pouco discutido no Brasil.
E, para discuti-la, convidamos André Lombardi, psicólogo e pesquisador, para aprofundar nesse tema! Vamos?
Esse discurso, apesar de sua boa intenção, carrega diversas problemáticas. Aqui vamos discorrer sobre algumas delas.
CURSO ONLINE “Acolhimento e desmedicalização: poder, ameaça e sentido” com @lablabirinto
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